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sábado, 26 de agosto de 2017

SANTA MARINA DE BITINIA OU SANTA MARINHA BITINIA


                                                       18 - 06 IGREJA CATÓLICA
                                     21 - 08 IGREJA COPTA ORTODOXA




A história de Santa Marinha (Marina) da Bitínia, Ásia Menor, ocorreu entre os séculos V e VI, nome de batismo Marina.


Órfã de mãe, o pai chamado Eugênio era  um homem honrado e considerado um santo devido a sua forma de viver. Eugênio tomou conta da menina, mas com o tempo decidiu abandonar a vida do mundo e se retirar para levar uma vida de penitência.


Contudo faltava-lhe coragem de falar de sua decisão a filha querida, porém  um dia sentindo - se firme decidiu dizer à filha a decisão que tomara.
Marinha desfez-se em lágrimas e pensava o que haveria de ser de si, órfã já de mãe agora seria também órfã de pai, porque seria como se ele tivesse morrido.  
Desta forma, tentou dissuadir o pai, ou então, que ele a levasse consigo ao mosteiro, mas o pai refutou a proposta e tratou logo de entregar a filha a um parente íntimo. Dando entrada no mosteiro de Canobin, famoso pela santidade e ciência de monges tão ilustres e situado nas fraldas do Monte Líbano, sendo um lugar sereno e belo, parecia um observatório da planura da Síria e da grandeza dos longes e da imensidade do Mar Mediterrâneo.


Assim, Eugênio realizava o seu desejo de se tornar cenobita. Contudo o coração esteve sempre com a filha, sendo incapaz de abafar os impulsos do amor paterno. Deixando-se apoderar de uma grande tristeza e melancolia, evitava o olhar do Abade muito atento a cada monge.


Ele próprio já tinha notado que Eugênio andava perturbado. Na igreja, com palavras de afeto, questiona Eugênio, que tocado pela afabilidade, lançou-se aos pés do abade, prostrando-se com copiosas lágrimas, revelou que tinha deixado na sua cidade o seu filho único um anjo de virtude, que antes de partir tinha manifestado o desejo de se tornar monge, mas que ele refutara e não consentira.


O Abade, ao ouvir isto, comoveu-se e enviou Eugênio a sua cidade para trazer o rapaz seu único e amado filho para o mosteiro. Depois de confirmar seu próprio desejo de ser monge ao Abade, Eugênio com tal proposta ficou tão contente que imediatamente foi a sua cidade ter com a filha e lhe dar a boa notícia. Quis primeiro saber se Marina ainda desejava entrar no mosteiro. O seu entusiasmo foi tão grande que imediatamente vestiu a filha com o hábito masculino de monge depois de lhe ter cortado a bela cabeleira. Mudando-lhe o nome de Marina para Marinho.


Levou-a para o mosteiro de Canobin, como a jovem de apenas quatorze anos a todos pareceu um anjo monge, ninguém duvidou que Frei Marinho fosse uma mulher. Ela foi iniciada na vida de monge e dedicou-se inteiramente ao Senhor e aos pobres.


Passados três anos que Marina usava o hábito de cenobita, ela verificou que o pai se aproximava do fim da vida. Antes de morrer ele recomendou-lhe que guardasse em segredo sua verdadeira identidade até o fim de seus dias e que também vigiasse as astúcias do demônio. Tendo ficado sozinha, após a morte do pai, foi um exemplo de virtudes cristãs, cada vez mais fiel na observância às regras aprendidas com o pai e que praticara com ele.


Os monges do Mosteiro eram solicitos, às vezes em turno de quatro, uma vez por mês, iam com o carro de bois a venda de  uma aldeia próxima do mar, onde compravam tudo que era preciso as suas necessidades. Se acontecesse que a noite adviesse de súbito, instalavam-se em um albergue chamado de Pandasio, nome também do dono que era devoto do convento, e de manhã cedo retomavam o caminho de regresso ao cenóbio.
Sempre que lhe calhava esse turno, também Marinho ia na companhia dos outros três monges.
Pandasio, amigo dos frades, tinha uma única filha que ficou grávida de um soldado, mas ela escondia a paternidade. Quando deram conta da gravidez, perguntaram-lhe o nome do seu sedutor.


A referida moça de acordo com o seu soldado, para o livrar, disse que tinha sido seduzida por Frei Marinho, que muitas vezes dormira na casa, e que de fato fora quem violara sua virgindade.
Com tal revelação, sem pensar seriamente no que tinha afirmado a rapariga,cheios de ira, correram ao mosteiro e com palavras duras contaram ao Abade a torpe injuria. Admirado com a grave acusação, nem queria acreditar. Para desculpá-lo perante os insolentes acusadores,
chamou Marinho que sentindo-se acusado, apesar de facilmente poder provar sua inocência, nada respondeu.
Travava dentro de si uma batalha terrível entre a carne e o espírito. O corpo temia o castigo iminente que se anunciava cair - lhe em cima.


Persuadia‐se que não seria grave desvendar o seu segredo nesta circunstância excepcional. Mas o espírito reprimia-o a não se afastar dos preceitos paternos, tantas vezes repetidos no segredo da sua cela, que não revelasse até ao último dia de sua existência terrena e lhe apontava ainda que tolerasse as próximas penitências por Jesus, que tanto por ele sofrera. No fim venceu o espírito e prostrado aos pés do Abade com lágrimas , disse-lhe:


-- Pai pequei, daí-me a penitência.


O acesso de indignação do Abade, por tal resposta era tão grande pela frustração, que por ele tombava sobre o convento, e, por isso, expressou o desejo que Frei Marinho não mais habitasse dentro daqueles muros e no meio daqueles monges e o expulsou do mosteiro que tinha sido seu paraíso.


Marina encontrou refúgio numa gruta, junto de um penhasco do convento. O seu leito era a terra nua, a penitência e a mortificação eram ásperas e contínuas e o seu alimento eram as esmolas dos que por aí passavam.No entanto, passou a cultivar uma horta, cujas sementes monges bondosos lhe ofertaram e assim sua alimentação ficou mais fácil.


Cerca de um ano depois, a filha do estalajadeiro lançou-lhe aos pés o fruto do seu vergonhoso e impuro amor. Marina acolhe a criança, como se fosse verdadeiramente seu filho e dedicou-se afetuosamente a ele. Com um cuidado total, partilhando o seu próprio pão. Diz-se que o menino se chamava Fortunato. Naqueles anos muitas vezes Marina foi tentada muitas vezes pelo mal,que a procurava descontrolar sobre um ponto sensível da mulher, a beleza, mas não cedeu à tentação. Também nestes anos passou a ser procurada sempre como Frei Marinho pelo povo pobre e humilde da aldeia, sempre os recebia e os catequizava, principalmente as crianças era sua maior preocupação.
Passados cinco anos, os monges que tanto admiravam a perseverança de Marinho e sua extraordinária penitência, comovidos por tanta virtude, prostraram-se diante do Abade a fim de que se dignasse readmitir Frei Marinho no meio deles. O superior resistiu, mas depois de tanto pedido de perdão dos próprios irmãos cedeu. Levada a notícia, Marina chorou e ao entrar no convento lançou-se aos pés do Abade e beijou-os. Declarou-se feliz por poder servir, em tudo, aos seus irmãos.
Foi-lhe dada a tarefa de toda limpeza do mosteiro e de carregar a água para os confrades.


Depois de pouco tempo de ter reentrado no convento, Marina de constituição delicada, tendo vivido sempre entre fadigas, mudanças e sofrimentos, gasta pela extraordinária penitência, sofrida durante cinco anos contínuos e dos trabalhos que lhe atribuíram na reentrada do convento, viu que os seus dias estavam prestes a terminar.


Certa manhã, os seus confrades não a vendo, ficaram preocupados pela sua saúde, acorreram e verificaram que estava no limiar da morte.Ao seu lado estava o pequeno Fortunato, que nunca a abandonou, pensando que fosse o pai. Marina a beira da morte, lembra-lhe que deve amar o próximo e jamais ofender ao Nosso Senhor.


A criança preocupada com o pai e com sua expulsão do convento, ora ao Senhor para que o seu pai não morra. Mas Marina assegura-lhe que não mais será expulso do convento. Tal declaração foi um prodígio, pois que o pequeno nunca foi expulso do convento.


O Abade lembrando que Frei Marinho fora um pecador, determinou que fosse sepultado num lugar longinquo do Mosteiro. Era costume dos cenobitas lavar os corpos dos que morriam no mosteiro, por isso dois frades se encarregaram, mas imprevistamente retrocederam e após terem olhado um para o outro gritaram estupefatos que Frei Marinho era uma mulher e não um homem, até que chegaram os outros e gritaram estupefatos “ Santa Marinha “. Com tal grito, correu o Abade, que verificando o acontecido se prostrou aos pés de Santa Marinha e pediu perdão ao Senhor pela punição que lhe aplicara, orando longamente.


No fim ordenou que o sagrado corpo fosse depositado na igreja durante diversos dias para veneração pública e solene dos fiéis.


A notícia correu e o conhecido Frei Marinho, que tanta se ofertou aos pobres, mesmo quando numa gruta exilado, foi visitado por todo povo da região.
Entretanto, a caluniadora ficou sabendo e por vergonha se fechara primeiro em casa, depois, não podendo permanecer mais tempo, saiu e confessou seu pecado. Primeiro dizia que queria ser tragada pela terra, o pai também veio arrependido e pediu perdão a agora chamada Santa Marinha, então a filha se ajoelhou aos pés do corpo e implorou seu perdão  
depois, pedindo a Santa Marinha que intercedesse a Deus para livrá-la do maligno que durante anos a insidiava, uma luz do céu a iluminou e a curou, tornando-se outra pessoa a partir de então.



Seu falecimento se deu a 21 de agosto e a igreja copta ortodoxa a festeja neste dia , já a católica a festeja em 18 de julho data que seu corpo chegou a Veneza,   o seu cadáver ficou sete dias em exposição, para espanto de todos de seu corpo emanava perfume de flores que envolvia a todos os presentes. 

Depois foi sepultada, mas a sua tumba não foi esquecida e tornou-se lugar de prodígios e curas, sendo logo venerada em todo Oriente.


No Ocidente seu culto difundiu-se primeiro pelos monges Basilianos e pelos cruzados que o trouxeram para a Itália, Espanha , França e Grécia.


As suas relíquias durante muito tempo permaneceram em Canobim, mas por causa das incursões árabes foram levados primeiro para Romênia depois por ação dos imperadores para Constantinopla.

Em 17 Julho de 1228 foi transladado para Veneza graças a um mercador chamado Bora que, secretamente, pagando avultada soma de dinheiro se apoderou das relíquias da Virgem.


ORAÇÃO A SANTA MARINA OU MARINHA DE BITINIA

“Ó adorável e humilde Santa Marina, que abdicaste do conforto e te entregaste à humilhação pública por obediência ao projeto de Deus, rogo-te que mostres a mim o melhor caminho a seguir, para o serviço ao próximo e a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ajuda-me a ser sempre humilde e benevolente, como fostes tu. Afasta da minha vida a arrogância e o sentimento de superioridade que nos afastam do amor de Cristo. Intercede por mim junto ao pai, para que eu alcance a graça que fervorosamente desejo (fazer o pedido). Prometo que continuarei no caminho da fé e da humildade, não me esquecendo de ti e mantendo minha devoção nos tempos de bonança. Além disso, prometo levar tal devoção por toda a minha vida, permanecendo no projeto de Deus e na caridade para com os mais necessitados.
Em nome de Nosso Senhor Jesus eu lhe rogo.








FONTES: SANTA MARINA DE BETÍNIA WICKIWAND

SANTA MARINHA DE BITINIA VIRGEM E MÁRTIR


domingo, 23 de julho de 2017

VIDA E ORAÇÃO DE SANTA BALBINA



31-03


Esta jovem foi incluída oficialmente no calendário dos santos a partir do século IX, por causa de seu suposto "martírio e de sua fé corajosa".


Sua alegada vida nos foi trazida através de lendas, principalmente, pelo teatro medieval. Está nas obras de Alejandro, que viveu no século XVI e na obra ss. Balbinae et Hermetis, uma espécie de apêndice do primeiro.


Segundo as duas histórias mitológicas, Balbina era filha de  São Quirino (militar e tribuno) que Converteu- se à fé cristã e foi batizada pelo papa Alexandre (o santo), jurando voto de virgindade".


Por causa de sua "riqueza e nobreza espirituais", muitos jovens a pediram em matrimônio, mas ela "manteve seu voto incorruptível e livre de qualquer mácula".


Estando gravemente enferma, o pai a levou ao papa, que estava encarcerado, e ela "se curou".
Em 132, mais provavelmente no dia 31 de março, foi "arrastada com o pai por ordem do imperador Adriano e, com barbaridade, cortaram- lhe a cabeça. Devido a sua bravura diante da morte e por ter morrido em nome da fé, foi elevada, pelos hagiógrafos, à categoria de mártir e santa, sendo- lhe dedicada uma Basílica Menor em Roma (Basílica de Santa Balbina)".

Está, segundo a lenda, sepultada, ao lado de seu pai, num antigo cemitério entre as vias Ápia e Ardeatina, o qual recebe seu nome.

ORAÇÃO A SANTA BALBINA

Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, imploro a Santa Balbina que me ajude a encontrar meu caminho e que minha fé cresça não me afastando jamais de Cristo Nosso Senhor. Que assim seja





segunda-feira, 12 de junho de 2017

VIDA E ORAÇÃO DE SÃO QUIRINO


                                                                            30-03

São Quirino, por vezes chamado de São Quirino de Roma, ou São Quirino de Neuss, ou ainda São Cirino, é um mártir e santo venerado tanto pela Igreja Católica quanto pela Igreja Ortodoxa.


Não se sabe quando e onde nasceu, mas era de origem romana e seu nome provém do alemão Quirin ou Quirinus, que por vezes é traduzido para o latim como Cirino.


O que se sabe da sua vida provém dos lendários “Atos dos Santos Alexandre e Balbina“. Segundo eles, Quirino era um rico tribuno, uma espécie de governante local no Império Romano, que na sua época era liderado pelo imperador Trajano, que manteve-se no trono entre os anos 98 e 117.

A história sobre sua vida, nos foi trazida, principalmente, pelo teatro medieval. É citado na obra “ss. Balbinae et Hermetis”, sem que se tenha provas sobre o que de fato é verdade nestas tradições antigas.

 

Quirino vivia, conta a lenda, como “fiel funcionário do Império Romano”, matava os rebeldes cristãos, prendia-os e investigava-os. No ano de 116, o imperador Trajano,voltando de uma campanha vitoriosa contra os partos, soube que o prefeito de Roma, Hermes, tinha abandonado a religião do Império Romano para aderir ao cristianismo e que para a sua surpresa havia sido batizado pelo Papa Alexandre.

De Selêucia (cidade grega que fica ao sul da atual Turquia, na época conquistada pelos romanos), onde foi então à frente de seu exército, Trajano enviou a Roma seu general Aureliano com a missão expressa de parar todos os cristãos, condenado-os imediatamente à morte se persistissem em sua religião.

A ordem é executada, mas Trajano nunca mais voltou à Roma; ele morreu no meio do caminho voltando pra casa. Adriano, o filho adotivo de Trajano, assim que proclamado imperador por seus soldados teve como seu primeiro ato oficial confirmar a ordem de seu antecessor, tornando a perseguição a todos os cristãos mais sangrenta.

 

Enquanto isso, Aureliano voltou à Roma e manda prender Hermes, prefeito de Roma. E, depois de alguma investigações, consegue capturar o Papa Alexandre, sendo encarcerado na prisão estadual. Hermes, ao contrário, conforme um antigo costume local, foi confiado à vigilância de Quirino, que o encarcerou na prisão de sua própria casa.

 

CONVERSÃO

 

Quirino esforçou-se para trazer Hermes de volta ao culto dos deuses romanos. No entanto, Hermes manteve-se firme em sua decisão pelo cristianismo e Quirino, vencido por tanta fé e retidão, começou a duvidar de seus deuses.

Quando o Papa Alexandre, que estava preso, apareceu “milagrosamente” em sua casa para visitar Hermes, iniciou-se então sua conversão.

Além disso, Quirino tinha uma filha, Balbina (Santa) que sofria de escrófula, uma doença que causa inchaço e deformações no pescoço, o que a impediria de se casar. Ele pediu ao Papa Alexandre para curar sua filha.

Eles fizeram a criança tocar as cordas que seguravam cativo o Santo Papa, e imediatamente, a doença cessou. Este milagre sacramentou a conversão de Quirino, sendo tanto ele como sua filha batizados no mesmo dia pelos sacerdotes Evêncio e Teódulo. 

 

SUPLÍCIO E MORTE


Após saber da conversão de Quirino, o imperador Adriano, que havia sucedido Trajano em 117, manda prender o tribuno e arrastá-lo para o tribunal onde foi interrogado. O juiz tenta fazê-lo renunciar à sua fé, mas ele não faz nada; Quirino crê em Jesus Cristo e prefere a morte à apostasia.

Os carrascos prepararam a tortura. Acendem várias tochas, mas Quirino não pestaneja nenhuma vez. Quebraram seus ossos com pedaços de pau e o torturaram nas chamas das tochas. Quirino, sustentado pela graça, permanece calmo.

Finalmente, no dia 30 de março do ano 116 ou 117, eles cortaram as mãos e os pés e, depois, os executores cortaram-lhe a cabeça. O corpo de Quirino foi abandonado na rua para servir de alimento para os animais.


Balbina, sua filha, levou-o à noite e sepultou-o na catacumba de Prétextatus ao longo da Via Appia, de acordo com a Enciclopédia Católica. No Itinerários das sepulturas dos mártires romanos do Martirológio Jeronimiano também mencionam estas informações.

 

Devido a sua “bravura” diante da morte e por ter morrido em nome da “fé”, foi elevado, pelos hagiógrafos, à categoria de mártir e santo, mesmo sem ter sido canonizado

 

TRANSFERÊNCIA DO CORPO DE SÃO QUIRINO

 

No ano 758, o Papa Paulo transferiu o corpo de São Quirino com muitos outros, com grande pompa, para a Igreja de St. Etienne e Silvère, a qual havia construído.

De acordo com um documento da cidade alemã de Colônia que data de 1485, o corpo de São Quirino teria sido doado em 1050 pelo Papa Leão IX a uma abadessa da cidade também alemã Neuss chamada Gepa (que também é chamada de “uma irmã do Papa”).


Desta maneira as relíquias chegaram até à Igreja de São Quirino (Quirinus-Münster), de estilo romanesco, em Neuss. Uma estátua de São Quirino localiza-se no topo do edifício, que Jean-Baptiste Bernadotte tentou saquear durante as Guerras Napoleônicas.

Os habitantes da cidade oraram a ele por ajuda durante o cerco de Neuss feito por Carlos, o Audaz, ocorrido entre 1474 e 1475. Foi então que o santo passou a ser conhecido por São Quirino de Neuss.

Seu culto se espalhou de Colônia, à Alsácia, Escandinávia, Alemanha Ocidental, Países Baixos e Itália, onde se tornou o santo padroeiro da comuna de Correggio.

Diversas fontes e nascentes foram dedicadas a ele, e foi invocado durante epidemias de peste bubônica, varíola e gota; também é considerado um padroeiro dos animais. Peregrinos que visitam Neuss costumam procurar a Quirinuswasser (“água de Quirino“), da Quirinusbrunnen (“fonte de Quirino“).

Um ditado popular entre os fazendeiros de Neuss relacionado ao dia de São Quirino, em 30 de março, diz “Wie der Quirin, so der Sommer” (“Assim como [o dia de São] Quirino se vai, também se vai o verão“).

Juntamente com São Huberto, São Cornélio e Santo Antônio, é venerado como um dos ‘Quatro Marechais Sagrados‘ (‘Vier Marschälle Gottes‘) na região da Renânia.

Retratos de São Quirino e São Valentim aparecem no topo do recto das Crônicas de Nuremberg (Folio CXXII [Genebra]).

 

 ORAÇÃO A SÃO QUIRINO



Em nome do Pai + do Filho + do Espírito Santo.

Ouvi a minha prece, Senhor, Vós que tendes tanto prazer em fazer o bem. Sede misericordioso e lançai os Vossos olhos sobre mim.
Que as preces dos Vossos mártires e de São Quirino intercedam em meu favor, pois sois, meu Deus todo o meu apoio e o único a quem eu posso recorrer.
Rogo-Vos por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Assim seja.
São Quirino, que tendes um poder particular para curar doenças nas pernas, nas orelhas e a paralisia, rogai por nós.
Rezar um Pai Nosso e uma Ave Maria.


Obs.: Oração a São Quirino, pode ser invocada contra doenças das pernas, paralisia e afecções nas orelhas




sábado, 15 de abril de 2017

VIDA E ORAÇÃO DE SÃO VICENTE O MÁRTIR

22/01


São Vicente é um dos três grandes diáconos que deram sua vida por Cristo. Junto com Lourenço e Estevão Corona, Laurel e Vitória forma o mais insigne triunvirato.

Este mártir celebrado por toda a Cristandade, foi exaltado em discurso público por 
Santo Agostinho, São Leão Magno e Santo Ambrósio.

Vicente descendia de uma família consular de Huesca, e sua mãe, segundo alguns, era irmã do mártir São Lourenço. Estudou a carreira eclesiástica em Zaragoza, ao lado do bispo Valero, que por sua falta de facilidade de expressão, o nomeou primeiro diácono para supri-lo na sagrada cátedra.

Paralelamente, o imperador Diocleciano havia decretado uma das mais cruéis perseguições contra a Igreja, que foi aplicado por Daciano na Espanha. Os cárceres, que estavam reservados antes para os delinquentes comuns, logo se encheram de bispos, presbíteros e diáconos.

Ao passar Daciano por Barcelona, sacrifica São Cucufate e a menina Santa Eulália. Quando chega a Zaragoza, manda deter o bispo e seu diácono, Valero e Vicente, e transferidos para Valência. Ali ocorreu o primeiro interrogatório.
Vicente responde pelos dois, devido ao problema de fala de Valero, intrépido e com palavra ardorosa.

Daciano se irrita, manda Valero ao desterro, e Vicente é submetido à tortura do potro. Seu corpo é desgarrado com unhas metálicas. Enquanto o torturavam, o juiz intimava o mártir à abjuração.
Vicente rejeitava,indignado, tais oferecimentos. Daciano, desconcertado e humilhado perante aquela atitude, oferece-lhe o perdão se lhe entregasse os livros sagrados.

Mas a valentia do mártir é inexpugnável. Exasperado novamente o Prefeito, mandou aplicar-lhe o supremo tormento, colocá-lo sobre um leito de ferro incandescente. Nada pode abater a fortaleza do mártir que, recordando a seu amigo São Lourenço, sofre o tormento sem se queixar e gracejando entre as chamas.

 Atiraram-no então a um calabouço sinistro, escuro e fétido "um lugar mais negro que as próprias trevas", diz Prudêncio. Em seguida, fala Prudêncio de um coro de anjos, que vem consolar o mártir. Iluminam o antro horrível, cobrem o chão de flores e alegram as trevas com suas harmonias. Até o carcereiro, comovido, converte-se e confessa a Cristo.

Daciano manda curar o mártir para submetê-lo novamente aos tormentos. Os cristãos se apressam para curá-lo. Mas apenas colocado em um leito, deixa o tirano frustrado, pois o espírito vencedor de Vicente voa ao paraíso. Era o mês de janeiro de 304.

Daciano ordena mutilar o corpo e atirá-lo ao mar. Mas as ondas piedosas o devolvem à terra para proclamar perante o mundo Vicente o Invicto.

Certa viúva cristã chamada Jônica recebeu em sonhos, algum tempo depois, uma comunicação sobre o local onde se encontravam os restos mortais de São Vicente. Acompanhada de muitos cristãos, dirigiu-se a virtuosa anciã para o lugar indicado no sonho, encontrando lá a valiosa relíquia, que foi conduzida a uma pequena igreja. Terminada a perseguição religiosa, e havendo crescido muito a devoção dos fiéis para com o admirável mártir, seu corpo foi transladado para um altar fora das muralhas de Valência.
Seu culto estendeu-se rapidamente por toda a cristandade.

Algumas relíquias de São Vicente Mártir estão guardadas no altar principal da Basílica Matriz de Aparecida. As relíquias encontram-se na Igreja desde janeiro de 1910 e foram enviadas pela Santa Sé por causa da concessão do título de elevação à Basílica Menor, que ocorreu em 1908.


ORAÇÃO A SÃO VICENTE O MÁRTIR

CONTRA O VÍCIO

ORAÇÃO DE SÃO VICENTE MARTIR CONTRA OS VÍCIOS


Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Senhor Deus Omnipotente e Misericordioso, louvores Vos sejam dados por todos os séculos dos séculos. Assim seja.


Senhor meu, rogo-vos, com inteira fé em Vossa infinita misericórdia sede propício à intercessão do Bem aventurado S. Vicente Mártir em favor de vosso filho.................ou (pode pedir para si mesmo)


Bem aventurado S. Vicente Mártir que, pelos méritos do Santíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, obtivestes o privilégio de afastar do mau caminho aqueles que se entregam aos vícios, peço-vos lançar o vosso bondoso olhar sobre ................... compadecendo-vos dos seus( ou meus) sofrimentos físicos e morais.


Suplico-Vos, glorioso S. Vicente Mártir, intercedei junto ao Altíssimo para que .............. abandone o vício, que o vicio não mais agrade, esquecendo-o, e nunca mais se (ou me) entregue a esse mal, que mata o corpo e a alma.


1 Credo, 1 Pai Nosso, 3 Ave Marias.
Em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo.


Que assim seja.
Na fé de Nosso Senhor Jesus Cristo.

domingo, 2 de abril de 2017

DIÁLOGO SÃO SERAFIM DE SAROV E MOTOVILOV


 







Padre Serafim morreu aos 74 anos, em 1883, mas dois anos antes de seu falecimento encontrou um leigo, na época um homem casado, chamado Nicolas Motovilov, o qual em sua juventude também havia sido tocado pela graça divina. Deus lhe havia concedido perceber, durante algum tempo, que parecia haver algo de muito profundo atrás da aparente simplicidade das palavras do Evangelho.

Nicolas Motovilov começou então a perguntar às autoridades da Igreja qual era a essência e a finalidade do ideal de vida ensinado por Jesus, mas não recebeu por parte destas pessoas nenhuma resposta mais precisa. Alguns chegaram a aconselhar ao jovem que parasse de se preocupar com estas questões e se limitasse a frequentar à Igreja como todas as demais pessoas.

Porém mais tarde as preocupações da vida engolfaram Motovilov e ele acabou se esquecendo da busca de Deus. Viveu como se vive na sociedade. Pecou e sofreu.
Os anos foram se passando. Motovilov foi então atingido por uma doença na época incurável. Lembrou-se por causa disso de procurar conforto e auxílio junto a um certo sacerdote de que tinha ouvido falar, o qual vivia num local muito distante, nas proximidades de um mosteiro perdido em meio à floresta russa.

Por causa de sua doença Motovilov já não podia andar e nem mesmo ficar de pé. Teve que ser carregado, em sua penosa viagem, por cinco empregados, mas ficou inteiramente curado depois de uma conversa com o padre Serafim.

No ano seguinte, um ano antes do falecimento do padre Serafim, ambos mantiveram um diálogo de cujo registro transcrevemos algumas partes. Este diálogo nos fala do Espírito Santo que foi prometido por Cristo aos que cressem em seu nome, e com a sua leitura nos vamos ocupar por algum tempo.

CONDENSADO DO DIÁLOGO

Era uma quinta feira. O céu estava cinza. A terra estava coberta de neve e espessos flocos continuavam a turbilhonar, quando o padre Serafim começou a nossa conversa na clareira perto de sua «Pequena Ermida», em frente ao rio Sarovka que deslizava ao pé da colina. Fez-me sentar no tronco de uma árvore que acabava de derrubar e ele se acocorou em minha frente.

— «O Senhor me revelou», disse o grande staretz, «que desde a vossa infância desejáveis saber qual a finalidade da vida cristã e que tínheis muitas vezes interrogado a este respeito mesmo a altas personagens na hierarquia da Igreja».

Devo dizer que desde a idade de doze anos essa idéia me perseguia e que, efetivamente, havia proposto a questão a várias personalidades eclesiásticas, sem nunca receber resposta satisfatória. O staretz ignorava-o.
— «Mas ninguém», continuou o padre Serafim, «vos disse nada de preciso; vos aconselhavam a ir à igreja, a rezar, a viver segundo os mandamentos de Deus, a fazer o bem, e tal, diziam, era o objetivo da vida cristã. Alguns até desaprovavam a vossa curiosidade, julgando-a descabida e ímpia. Mas estavam errados. Quanto a mim, miserável Serafim, vos explicarei agora em que consiste realmente esse objetivo».

A verdadeira meta da vida cristã


— «A oração, o jejum, as vigílias e outras atividades cristãs, tão boas quanto possam parecer em si, não constituem a finalidade da vida cristã, ainda que ajudem a chegar a ela. O verdadeiro objetivo da vida cristã consiste na aquisição do Espírito Santo de Deus. Quanto à oração, ao jejum, às vigílias, à esmola, e qualquer outra boa ação feita em nome de Cristo, são apenas meios para a aquisição do Espírito Santo.

A aquisição do Espírito Santo


— «É pois na aquisição desse Espírito de Deus que consiste a verdadeira finalidade da vida cristã, enquanto a oração, as vigílias, o jejum, a esmola e as outras ações virtuosas, feitas em nome de Cristo, são apenas meios para adquiri-lo».
– «Como a aquisição?», perguntei ao padre Serafim. «Não compreendo muito bem».
— «A aquisição é a mesma coisa que a obtenção. Sabeis o que é adquirir dinheiro? Em relação ao Espírito Santo é semelhante. Para as pessoas comuns, o objetivo da vida consiste na aquisição do dinheiro, o ganho. Os nobres desejam, além disso, obter honras, sinais de distinção e outras recompensas concedidas por serviços prestados ao Estado. A aquisição do Espírito Santo é também um capital, mas um capital eterno, dispensador de graças; muito parecido aos capitais temporais e que se obtém pelos mesmos processos. Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus homem, compara a nossa vida a um mercado e a nossa atividade na terra a um comércio. Recomenda-nos a todos nós: `Negociai até que eu volte, remindo o tempo, porque os tempos são maus'; (Lc 19, 12-13; Ef 5, 15-16) o que quer dizer: 'Apressai-vos em obter bens celestes, negociando com mercadorias terrenas´. Essas mercadorias terrestres não são senão as ações virtuosas feitas em nome de Cristo e que nos trazem a graça do Espírito Santo.

Ver a Deus


– «Padre», disse-lhe eu, «falais sempre da aquisição da graça do Espírito Santo como a finalidade da vida cristã. Mas, como posso reconhecê-la? As boas ações são visíveis. Mas o Espírito Santo pode ser visto? Como posso saber se Ele está ou não em mim?»
— «Na época em que vivemos», respondeu o staretz ,«chegou-se a uma tal tibieza na fé, a uma tal insensibilidade para com a comunicação com Deus, que as pessoas se afastaram totalmente da verdadeira vida cristã. Há passagens da Escritura que nos parecem estranhas hoje, como, por exemplo, quando o Espírito Santo pela boca de Moisés diz: 'Adão via Deus passeando no Paraíso' (Gn 3) ou quando lemos no apóstolo Paulo que foi impedido pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia, mas que o Espírito o acompanhou quando ele se dirigia para a Macedônia (At 16, 6-9). Em muitas outras passagens da Sagrada Escritura ele é, por várias vezes, assunto da aparição de Deus aos homens. Então alguns dizem: 'Estas passagens são incompreensíveis. Pode- se admitir que homens possam ver a Deus de maneira tão concreta?' Esta incompreensão vem do fato de que sob o pretexto da instrução, da ciência, mergulhamos numa tal obscuridade de ignorância, que tudo achamos incompreensível, tudo de quanto os antigos tinham uma noção bastante clara para poderem falar entre eles das manifestações de Deus aos homens como de coisas conhecidas e, de forma alguma, estranhas. Assim Jó, quando os seus amigos o reprovavam por não blasfemar contra Deus, respondia: `Enquanto em mim houver um sopro de vida e o alento de Deus nas narinas, meus lábios não dirão falsidades'. (Jó 27, 3)
Em outras palavras, como posso blasfemar contra Deus, quando o Espírito Santo está em mim? Se blasfemasse contra Deus, o Espírito Santo me deixaria, mas sinto sua respiração em minhas narinas. Abraão e Jacó conversaram com Deus. Jacó lutou mesmo com Ele. Moisés viu Deus e todo o povo com ele, quando recebeu as tábuas da Lei, no Sinai. Uma coluna de nuvens de fogo, a graça visível do Espírito Santo, servia de guia ao povo hebreu no deserto. Os homens viam a Deus e seu Espírito não em sonho ou êxtase, fruto de uma imaginação doentia, mas na realidade.
Desatentos, como nos tornamos, compreendemos as palavras da Escritura contrariamente ao que se deveria. E tudo isso porque, em lugar de buscar a graça, nós a impedimos, por orgulho intelectual, de vir habitar em nossas almas e de nos esclarecer como são esclarecidos aqueles que de todo coração buscam a verdade».

A criação


— «Muitos, por exemplo, interpretam as palavras da Bíblia: `Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida', (Gn 2, 7) como querendo dizer que até então não havia em Adão nem alma, nem espírito humano, mas somente uma carne criada do barro do solo. Esta interpretação não é correta, pois o Senhor Deus criou Adão do barro do solo no estado do qual fala o apóstolo Paulo quando afirma: 'Que vosso espírito, vossa alma e vosso corpo sejam guardados de modo irrepreensível para o dia da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo'. (1 Tes 5, 23) Todas estas três partes do nosso ser foram criadas do barro do solo. Adão não foi criado morto, mas criatura animal atuante, semelhante às outras criaturas que vivem na terra e são animadas por Deus. Mas eis o importante. Se Deus não tivesse insuflado na face de Adão este alento de vida, isto é, a graça do Espírito Santo que procede do Pai e repousa no Filho e, por causa deste não o tivesse enviado ao mundo, por mais perfeito e superior às outras criaturas que Adão fosse, teria permanecido privado do Espírito deificante e seria semelhante a todas as outras criaturas que possuíssem carne, alma e espírito segundo a sua espécie, mas privados, no interior, do Espírito que estabelece parentesco com Deus. A partir do momento em que Deus lhe deu o sopro de vida, Adão tornou-se, segundo Moisés: 'uma alma vivente', o que quer dizer, em tudo semelhante a Deus, eternamente imortal. Adão havia sido criado invulnerável. Nenhum elemento tinha poder sobre ele. A água não podia afogá-lo, o fogo não podia queimá-lo, a terra não o podia engolir e o ar não lhe podia ser nocivo. Tudo lhe era submisso, como ao proferido de Deus, como ao proprietário e rei das criaturas. Ele era a própria perfeição, a coroa das obras de Deus e admirado como tal. O alento de vida que Adão recebeu do Criador, o encheu de sabedoria a tal ponto que jamais houve sobre a terra, e provavelmente jamais haverá, um homem tão repleto de conhecimento e de saber quanto ele. Quando Deus lhe ordenou que desse nomes a todas as criaturas, ele as denominou de acordo com as qualidades, as forças, e as propriedades de cada uma, conferidas por Deus.
Este dom da graça divina supranatural, que veio do alento de vida que havia recebido, permitia a Adão ver a Deus passeando no paraíso e compreender as suas palavras bem como a conversa dos santos anjos e a linguagem de todas as criaturas, dos pássaros, dos répteis que vivem sobre a terra, de tudo o que nos é dissimulado, a nós, pecadores, desde a queda, mas que antes era perfeitamente claro para Adão.

A graça do Espírito Santo é luz


—«Ainda é preciso que vos diga, a fim de que compreendais o que é preciso entender por graça divina, como ela se manifesta nos homens que ilumina: a graça do Espírito Santo é Luz. Toda a Sagrada Escritura fala disso. Davi, o antepassado do Deus homem, disse: 'Tua palavra é lâmpada para os meus pés, e luz para o meu caminho'. (Sl 118, 105)
Em outros termos, a graça do Espírito Santo, que a lei revela na forma dos mandamentos divinos, é minha luminária e minha luz e, se não fosse essa graça do Espírito Santo, 'que com tanto trabalho me esforço por adquirir, me interrogando sete vezes ao dia de sua verdade', (Sl 118, 164) como, entre as numerosas preocupações inerentes à minha condição real, poderia encontrar em mim uma só chispa de luz para me iluminar acerca do caminho da vida enegrecida pelo ódio de meus inimigos?
De fato, o Senhor muitas vezes mostrou, na presença de numerosas testemunhas, a ação da graça do Espírito Santo sobre os homens que ele havia iluminado e ensinado através de grandiosas manifestações. Lembrai-vos de Moisés, depois de sua conversa com Deus sobre o Monte Sinai (Ex. 34, 30-35). Os homens não podiam olhá-lo de tal modo seu rosto brilhava com uma luz extraordinária. Era mesmo obrigado a se mostrar ao povo com a face recoberta com um véu. Lembrai-vos da transfiguração do Senhor no Tabor. `E ali foi transfigurado diante deles. O seu rosto resplandeceu como o Sol, e suas vestes se tornaram brancas como a luz [...] Os discípulos ouvindo a voz, muito assustados, caíram com o rosto no chão'. Quando Moisés e Elias apareceram revestidos da mesma luz `uma nuvem os encobriu para que não ficassem cegos'. (Mt. 17, 1-8; Mc 9, 2-8; Lc 9, 28-37)
É assim que a graça do Espírito Santo de Deus aparece numa luz inefável àqueles a quem Deus manifesta a sua ação.

Presença do Espírito Santo


–«Como poderei então», perguntei ao padre Serafim, «reconhecer em mim a presença do Espírito Santo?»
— «É muito simples», respondeu ele. Deus disse: 'O saber é fácil para o inteligente'. (Prov 14, 6) Nossa desgraça é que nós não procuramos essa sabedoria divina que, não sendo deste mundo, não é presunçosa. Cheia de amor por Deus e pelo próximo, ela molda o homem para sua salvação. Foi falando dessa sabedoria que o Senhor disse: `Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade'. (1 Tim. 2, 4) A seus apóstolos, que não tinham esta sabedoria, ele disse: `Ó insensatos e lentos de coração para crer tudo o que os profetas anunciaram!' (Lc 24, 25-27) E o Evangelho diz que ele `lhes abriu a inteligência a fim de que pudessem compreender as Escrituras'.
Tendo adquirido essa sabedoria, os apóstolos sabiam sempre se o Espírito de Deus estava ou não com eles e, cheios deste Espírito, afirmavam que sua obra era santa e agradável a Deus. Por isso em suas epístolas podiam escrever: `Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós...', (At 15, 28) e somente persuadidos como estavam de sua presença sensível, enviavam suas mensagens. Então, amigo de Deus, vede como é simples.
– Respondi: «Apesar de tudo, não compreendo como posso estar absolutamente certo de me encontrar no Espírito Santo. Como posso eu mesmo descrever em mim a sua manifestação?»
O padre Serafim respondeu:
— «Já vos disse que é muito simples e vos expliquei com detalhes como os homens se encontravam no Espírito Santo e como se deve compreender a sua manifestação em nós... Que vos falta ainda?
– «Eu preciso», respondi, «compreendê-lo verdadeiramente bem...»

A luz incriada


Então o padre Serafim me tomou pelos ombros e, apertando-os fortemente, disse:
— «Estamos ambos, vós e eu, na plenitude do Espírito Santo. Por que não me olhais?
– «não posso, padre, olhar-vos. Brotam raios de vossos olhos. O vosso rosto tornou-se mais luminoso do que o Sol. Os olhos me doem...»
O padre Serafim disse:
— « Não tenhais medo, amigo de Deus. Também vos tornastes tão luminoso quanto eu. Vós também estais agora na plenitude do Espírito Santo, de outro modo não teríeis podido me ver.
Inclinando a sua cabeça para mim, disse-me ao ouvido:
— «Agradecei ao Senhor por vos ter concedido esta graça indizível. Vistes, nem mesmo fiz o sinal da cruz, no meu coração, em pensamento somente, rezei: `Senhor, tornai-me digno de ver claramente, com os olhos da carne, a descida do Espírito Santo como a seus servidores eleitos quando te dignaste aparecer-lhes na magnificência de tua glória!' E imediatamente Deus atendeu a humilde oração do miserável Serafim. Como não agradecer-lhe por esse dom extraordinário que a nós dois ele concede? Não é também sempre aos grandes eremitas que Deus manifesta assim a sua graça. Como mãe amorosa, essa graça se dignou consolar o vosso coração desolado, a pedido da própria Mãe de Deus. Mas, por que não me olhais nos olhos? Ousai olhar-me sem temor, Deus está conosco.
– Depois destas palavras, levantei os olhos para o rosto e um medo maior ainda tomou posse de mim. Imaginai-vos no meio do Sol, na claridade mais forte de seus raios de meio dia, o rosto de um homem que vos fala. Vedes o movimento de seus lábios, a expressão cambiante de seus olhos, vós ouvis o som de sua voz, sentis a pressão de suas mãos, mas, ao mesmo tempo, não percebeis nem as suas mãos, nem o seu corpo, nem o vosso, nada senão uma esplendorosa luz se propagando ao redor, a uma distância de muitos metros, iluminando a neve que recobria a campina e caía sobre o grande staretz e sobre mim. Pode-se representar a situação na qual me encontrava então?
— «Que sentis agora?», perguntou o staretz.
– «Sinto-me extraordinariamente bem».
— «Como 'bem'? Que quereis dizer por 'bem'?»
– «Minh'alma está cheia de um silêncio e de uma paz inexplicável».
— «Aí está, amigo de Deus, esta paz da qual o Senhor falava quando ele dizia a seus discípulos: "Deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas porque não sois do mundo e minha escolha vos separou do mundo, o mundo por isso vos odeia. Eu vos disse tais coisas para terdes paz em mim. Tende coragem, eu venci o mundo". (Jo 14,27; 15,19; 16,33) É a esses homens eleitos por Deus, mas odiados pelo mundo, que Deus dá a paz que sentis agora, 'a paz de Deus', diz o apóstolo, 'que excede toda a compreensão'. (Fil 4, 7) O apóstolo denomina-a assim porque nenhuma palavra pode exprimir o bem estar espiritual que ela faz nascer nos corações dos homens em que o Senhor a implanta. Ele mesmo a chama sua paz (Jo. 14, 27). Fruto da generosidade de Cristo e não deste mundo, nenhuma felicidade terrena a pode dar. Enviada do alto pelo próprio Deus, ela é a paz de Deus... Que sentis agora?»
– «Uma delícia extraordinária».
— «É a delícia de que fala a Escritura: 'Eles ficam saciados com a gordura de tua casa, tu os embriagas com um rio de delícias'. (Sl 35, 9) Ela transborda do nosso coração, derrama-se em nossas veias, traz-nos uma sensação de delícia inexprimível... Que sentis ainda?
– «Uma extraordinária alegria em todo o meu coração».
— «Quando o Espírito Santo desce sobre o homem com a plenitude de seus dons, a alma humana fica cheia de uma alegria indescritível. É dessa alegria que o Senhor fala no Evangelho quando diz: `Quando uma mulher está para dar à luz, entristece-se porque a sua hora chegou; quando, porém, nasce a criança, ela já não se lembra dos sofrimentos, pela alegria de ter vindo ao mundo um homem. Também vós, agora, estais tristes; mas eu vos verei de novo e vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria'. (Jo 16, 21-22) Por grande e consoladora que ela seja, a alegria que sentis neste momento nada é, em comparação com aquela da qual o Senhor disse através de seu apóstolo: `O que os olhos não viram, o que os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam'. (1Cor 2, 9) O que nos é concedido presentemente é apenas uma antecipação dessa alegria suprema. E, se desde agora, nós sentimos deleite, júbilo e bem estar, que dizer desta outra alegria que nos está reservada no céu, depois de ter, aqui na terra, chorado? Já haveis chorado bastante em vossa vida e vede que consolação na alegria o Senhor vos dá aqui na terra. Cabe a nós, agora, amigo de Deus, trabalhar com todas as nossas forças para subirmos de glória em glória `até que alcancemos todos nós a unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, o estado do homem perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo'. (Ef 4, 13) `Os que põem sua esperança em Javé renovam as suas forças, formam asas como as águias, correm e não se fatigam, caminham e não se cansam'. (Is 40, 31) `Eles caminham de terraço em terraço e Deus lhes aparece em Sião'. (Sl 83, 8 É então que a nossa alegria atual, pequena e breve, se manifestará em toda a sua plenitude e ninguém nos poderá arrebatá-la, repletos como estaremos de indizíveis gozos celestes. Que sentis, ainda, amigo de Deus?
– «Um calor extraordinário»
— «como, um calor? Não estamos na floresta, em plena neve? A neve está sob os nossos pés, estamos cobertos dela e ela continua caindo... De que calor se trata?»
– «Um calor semelhante ao de um banho de vapor».
— «E o cheiro é como no banho?»
– «Oh, não! Nada sobre a terra se pode comparar a esse perfume. No tempo em que a minha mãe vivia, ainda gostava de dançar e quando eu ia a um baile, ela me aspergia perfumes que comprava nas melhores lojas de Kasan e pagava muito caro. O seu odor não é comparável a estes aromas».
O padre Serafim sorriu.
— «Eu sei, meu amigo, tanto quanto vós, e é de propósito que vos interrogo. É bem verdade, nenhum perfume terreno pode ser comparado ao bom odor que respiramos neste momento, o bom odor do Espírito Santo. O que pode, sobre a terra, ser-lhe comparado? Dissestes, ainda há pouco, que fazia calor, como no banho. Mas olhai, a neve que nos cobre, a vós e a mim, não se derrete, assim como a que está aos nossos pés. O calor não está no ar, mas no nosso interior. É este calor que o Espírito Santo nos faz pedir na oração: `Que teu Espírito Santo nos aqueça'. Este calor permitia aos eremitas, homens e mulheres, não temerem o frio do inverno, envolvidos, como estavam, como que num manto de peles, numa veste tecida pelo Espírito Santo. É assim que, na realidade, deveria ser, habitando a graça divina no mais profundo de nós, em nosso coração. O Senhor disse: `O Reino de Deus está dentro de vós'. (Lc 17, 21) Por Reino de Deus ele entende a graça do Espírito Santo. Este Reino de Deus está em nós, agora. O Espírito Santo nos ilumina e nos aquece. Enche o ar de perfumes variados, alegra os nossos sentidos, sacia o nosso coração com alegria indizível. O nosso estado atual é semelhante àquele do qual fala o apóstolo: `Porquanto o Reino de Deus não consiste em comida e bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo'. (Rom 14, 17) A nossa fé não se baseia em palavras de sabedoria terrena, mas na manifestação do poderio do Espírito. Trata-se do estado em que estamos atualmente e que o Senhor tinha em vista quando dizia: `Em verdade vos digo que estão aqui presentes alguns que não provarão a morte até que vejam o Reino de Deus chegando com poder'. (Mc 9, 1) Eis aí, amigo de Deus, a alegria incomparável que o Senhor se dignou conceder-nos. Eis o que é estar `na plenitude do Espírito Santo'. É isto o que entende São Macário, o Egípcio, quando escreve: `Eu mesmo estive na plenitude do Espírito Santo'. Humildes quanto somos, o Senhor nos encheu da plenitude de seu Espírito. Parece-me que, a partir deste momento, não tereis de me interrogar mais sobre a maneira como se manifesta, no homem, a presença da graça do Espírito Santo. Esta manifestação permanecerá para sempre em vossa memória.
– «Não sei, padre, se Deus me tornará digno de me lembrar dela sempre com tanta nitidez como agora»

Difusão da mensagem


— «E eu», respondeu o staretz, «Julgo que, pelo contrário, Deus vos ajudará a guardar todas estas coisas para sempre, em vossa memória. De outro modo ele não teria sido tão rapidamente tocado pela humilde oração do miserável Serafim e não teria atendido tão depressa o seu desejo. Além do mais, não é somente a vós que é dado ver a manifestação desta graça mas, por vosso intermédio, ao mundo inteiro. Vós mesmo assegurai-vos, sereis útil a outros.

Monge e leigo


— «Quanto a nossos estados diferentes, de monge e leigo, não vos preocupeis. Deus procura acima de tudo um coração cheio de fé nele e em seu Filho único, em resposta à qual envia do alto a graça do Espírito Santo. O Senhor procura um coração repleto de amor por Ele e pelo próximo; aí está um trono sobre o qual Ele gosta de sentar-se e onde ele aparece na plenitude de sua glória. `Meu filho, dá-me o teu coração, e o resto eu te darei por acréscimo'. (Pr 23, 26) O coração do homem é capaz de conter o Reino dos Céus. `Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça', diz o Senhor a seus discípulos, `e todas estas coisas vos serão acrescentadas, pois Deus, vosso Pai, sabe do que precisais'. (Mt 6, 33)

Legitimidade dos bens terrenos


— «O Senhor não nos proíbe o gozo dos bens terrenos, e diz ele próprio que, dada a nossa situação aqui na terra, deles precisamos para dar tranquilidade às nossas existências e tornar mais cômodo e fácil o caminho para a nossa pátria celeste. E o apóstolo Pedro acha que nada há melhor no mundo do que a piedade unida ao contentamento. A Santa Igreja pede que isso seja dado. Apesar das penas, as desgraças, e as necessidades serem inseparáveis da nossa vida na terra, o Senhor jamais quis que os cuidados e as misérias constituíssem toda a trama dela. E, por isso, pela boca do apóstolo nos manda carregar os fardos uns dos outros, a fim de obedecer a Cristo que pessoalmente nos deu o preceito de nos amarmos mutuamente. Reconfortados por esse amor, a caminhada dolorosa pela via estreita que leva à nossa pátria celeste nos será facilitada. Não desceu o Senhor do céu não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida pela redenção de muitos? (M. 20, 28; Mc 10, 45). Atuai do mesmo modo, amigo de Deus, e, consciente da graça da qual fostes visivelmente objeto, comunicai-a a todo homem desejoso da sua salvação.

Atividade missionária


— «'A colheita é grande', diz o Senhor, `mas poucos os operários'. (Mt 9, 37-38; Lc 10, 2) Tendo recebido os dons da graça, somos chamados a trabalhar colhendo as espigas da salvação do nosso próximo, para os recolhermos no celeiro, em grande número, no Reino de Deus, a fim de que produzam seus frutos, uns trinta, outros sessenta, e outros cem. Estejamos atentos para não sermos condenados com o servo preguiçoso que enterrou o dinheiro a ele confiado, mas tratemos de imitar os servos
fiéis que devolveram ao Mestre um, em vez de dois talentos, quatro, e o outro, em vez de cinco talentos, dez. Quanto à misericórdia divina, não se pode duvidar dela: vede vós mesmo como as palavras de Deus, ditas por um profeta, se realizaram por nós. `Sou, por acaso, Deus apenas de perto'. (Jr 23, 23)
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